Logo após a tragédia do vôo 3054, a nação assistiu um dos mais deprimentes shows de horrores já exibido por nossa classe política. A CPI da Câmara e do Senado que supostamente analisavam os motivos do caos aéreo não haviam chegado a lugar algum e a morte de 199 pessoas somada a comoção nacional eram ideais para a autopromoção de dezenas de parlamentares. Era difícil saber quem falava mais besteiras, no entanto, era consenso entre todos eles que Congonhas era um aeroporto problemático e deveria ter suas operações suspensas ou reduzidas. Como era insano falar em fechar o principal aeroporto brasileiro a opção recaiu em inventar um novo aeroporto para atender a capital paulista e esbravejar que as operações em Congonhas seriam reduzidas. Bastou o brasileiro com sua memória curta esquecer da tragédia para tudo voltar como era antes, já que no último fim de semana, voltaram a ser feitas em Congonhas escalas e conexões, que estavam suspensas desde o acidente. Vôos charter e de fretamento também foram autorizados nos fins de semana. Na verdade, as regras que proibiam conexões ou vôos de longo curso a partir de Congonhas jamais existiram na prática. A única mudança inicial foi obrigar o passageiro a fazer um check-in extra em São Paulo.
Porém, as pressões das principais empresas aéreas que fizeram as regras voltarem a ser como eram no dia 17 de junho, com aeroporto voltando a ser o principal hub do país, visam atender exclusivamente as exigências dos usuários. A imprensa em geral culpa exclusivamente as empresas aéreas, mas esquecem que elas buscam apenas atender seus passageiros. Se estes querem voar para Congonhas, que sejam para lá os vôos. A maior culpa do caos aéreo é justamente do usuário do sistema, que além de exigir comodidade, não faz valer seus direitos e deixa a classe política brasileira se promover com a desgraça alheia. Congonhas jamais foi um aeroporto problemático, apenas opera no limite e sem maiores cuidados por parte da INFRAERO. Caso a estatal realize as manutenções e obras necessárias regularmente, Congonhas como qualquer outro aeroporto poderá operar com segurança. Ainda assim, nada mudou, políticos continuam com suas fanfarronices, se aproveitando de qualquer situação para se promover, os passageiros continuam desejando voar para Congonhas, e o aeroporto continuará sendo por muitos anos o principal aeroporto do país.
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